sábado, 14 de fevereiro de 2009

O mundo é um palco

O mundo é um palco e metem-nos a dançar nele. E nós dançamos. Felizes. A pensar que estamos a fazer aquilo de livre vontade.

Eu gosto geralmente de reflectir sobre a nossa liberdade. Quero saber até que ponto a nossa felicidade como seres humanos é possível, até que ponto é influenciada e controlada por outros e até que ponto temos de facto poder sobre nós próprios. Eu digo-vos de aviso: temos muito poder sobre nós próprios.

Estamos numa sociedade, em que se não pensamos nisto, somos completamente controlados. Por exemplo, os media. Mentiras repetidas centenas de vezes tornam-se verdades. Vemos centenas/milhares de vezes séries televisivas com um grande clamor ao entretinimento das pessoas: roupas, estilo, individualidade ao seguir o comum...
Estamos completamente prontos a aceitar que o que os media nos dão é verdade. A televisão a nosso ver não mente, as revistas a nosso ver não mentem, os jornais a nosso ver não mentem, etc. Toda a gente diz que os políticos mentem e ficam até um passo atrás quando eles falam, mas nunca param para pensar a influência que esses políticos terão nos media?! Por amor de deus, Berlusconi controlava Itália através dos media. Meninas bonitas, dinheiro e programas televisivos simples e que faziam com que as pessoas não pensassem.

Pensem, sobre o que será ou não verdade. É de facto necessário tentarmos comprar algo que custam 300 euros por ser "in"? Estamos a ser manipulados. Isto não é um visão negativista da sociedade, é apenas o que ela é. Quem já está atingir os 50 anos de idade, o sonho é comprar aquele Mercedes ou BMW. Quem está nos 35 é ser patrão de uma empresa e vestir armani's. Quem está nos 20 é ser considerado um génio no que faz e mudar de facto o mundo. Quem está nos 15 é ser aceite pelos outros, imitando-os exactamente. Quem tem 10 anos é aquela consola nova...

Só temos dois períodos em que não somos consumidos pela sociedade. Quando somos novos demais para sermos influenciados por ela e quando somos velhos demais para nos preocupar-mos com a imagem.

Estamos a ser ensinados a não pensar e obedecer. Querem-nos parvos e a obedecer. E nós? Nós? Nós compramos as coisas, a achar que as estamos a comprar de livre vontade. Formamos opiniões que achamos ser as nossas, mas são apenas efeitos secundários do que recebemos transmitido pelos media. Decidimos o que é certo e errado através do que nos é dito que é certo e errado. Nós somos marionetas e estamos a dançar no palco monstruoso que é o mundo.

Sentimo-nos bem ao levarmos uma vida simples e com o menor número de preocupações e pensamento possível. O que infelizmente não percebemos é que é exactamente isso que nos está a deixar infelizes. E é isso que nos faz precisar de zoloft's e xanax's. O facto de não sermos mesmo livres. Nem estarmos em paz com a nossa pessoa. Dizem-nos como devemos ser e devemos agir, mas não é assim que nós agiríamos. Dizem que devemos ter este aspecto e esta personalidade e esta opinião e nós tornamo-nos o que eles querem, pensando que será mais fácil viver.

Mas... não é.

Podem ver televisão, ler revistas e jornais. Não devem no entanto tomá-los como verdades universais. "A verdade é sempre mais absurda do que qualquer coisa que imaginemos", não me lembro quem disse isto, mas é completamente verdade. Por favor, deixem de ser consumidos por esta sociedade. Não estamos aqui para comprar. Não estamos aqui para comer quantidades gigantescas de comida. Não estamos aqui para sair à noite todos os dias. Não estamos aqui para vermos televisão em todos os tempos livres que temos.

Saiam à rua. Apreciem a beleza de um dia de chuva. Apreciem a beleza de um dia de sol. Apreciem o mundo, as pessoas, as coisas, tudo. Temos esta ideia de que o mundo é feio, nós tornamo-lo feio quando não pensamos e tomamos as decisões lógicas, puras e feitas com boa vontade. Se tivermos boa vontade e formos simpáticos com o resto do mundo, o resto do mundo retribui-nos. Não se deixem levar pela pressão social e pelo que é considerado "normal" porque depois verão que não serão felizes como pessoas "normais"!

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